Humilhação: No Jacinta Andrade os moradores precisam brigar por água

O abastecimento de água da região é totalmente precário e até agora nenhuma iniciativa foi tomada

Os moradores do Conjunto Jacinta Andrade, na zona Norte de Teresina, convivem diariamente com o problema de falta d´água. Tanto que na região do conjunto, a população busca a todo custo, encher garrafões, baldes e até panelas para consumo próprio em bombas improvisadas.
O abastecimento de água da região é totalmente precário, e fica cada vez mais difícil realizar atividades simples do dia a dia como tomar banho, lavar roupa e cozinhar. Segundo a dona de casa Maria de Jesus esse problema já existe há muito tempo.
"A população aqui do conjunto passa o dia e a noite indo buscar água, às vezes temos a sorte da água vir pelos menos durante 30 minutos ou 1 hora ,com isso a gente tem que aproveitar pra encher tudo quanto é de bacias e baldes para poder beber e fazer nossas atividades", diz ela.
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Observando as condições do conjunto, a equipe de reportagem do 180 flagrou um morador que estava empurrando um carrinho de mão ocupado de baldes e garrafas com água para poder matar a sede da sua família. O senhor Oliveira Silva afirmou que não aguenta mais passar por esse tipo de situação.
"Já faz 6 meses que encaramos isso diariamente. Até agora nenhuma iniciativa da prefeitura foi tomada , os responsáveis pela distribuição de água da região somente enrolam a população dizendo que logo o problema será resolvido, mas na verdade não passam de mais promessas inúteis. Os políticos que andam por aqui só sabem pedir voto não garantem nenhuma tentativa de melhorar o abastecimento de água para nós moradores", disse Oliveira.
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Ele ainda declarou que AGESPISA (Companhia de Águas e Esgotos do Piauí) ,mandou uma nota a um telejornal avisando que o prazo pra solucionar essa falta d´água foi estendido até o 15 de setembro deste ano.
Os moradores reclamam ainda que as taxas vêm todos os meses cobrando os custos da manutenção dessa água que não chega, por volta de R$ 24. Alguns moradores disseram que estão se negando a pagar os talões devido a falta de compromisso da AGESPISA. Desde quando passaram a morar no conjunto a falta de água nas residências é comum. O conjunto possui cerca de 4 mil casas, as quais cerca de 3 mil já foram concluídas. Nestas algumas pessoas que moram na região, também se preocupam com a chegada de novas famílias possa piorar a situação do abastecimento de água nas casas.
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Um dos moradores, o senhor Sidney Ferreira de 25 anos, que foi buscar água em uma das torneiras que funcionam, afirmou sobre os riscos de ir buscar água no fim da tarde. É justamente neste horário em que as pessoas mais precisam utilizar água nas suas atividades domésticas o que acaba gerando conflito entre os próprios moradores.
Sidney explica que quando vão encher seus baldes e garrafas, devido a pequena quantidade de pontos de distribuição os moradores acabam entrando em conflito e muitas vezes alguns acabam indo às vias de fato.
A Agespisa entrou em contato com o 180 e, por meio de nota, esclareceu os fatos relatados na matéria "Humilhação: No Jacinta Andrade os moradores precisam brigar por água". Leia abaixo a nota na íntegra:
NOTA DE ESCLARECIMENTO

Em relação à matéria publicada, nesta quinta-feira (4), no portal 180 Graus, a Agespisa esclarece as medidas que estão sendo tomadas para normalizar o abastecimento de água na região do Residencial Jacinta Andrade. Um novo poço entrará em operação até o fim desta semana. Também está sendo construída uma Estação de Tratamento de Água (ETA), na região da Santa Maria da Codipi, obra que irá minimizar as dificuldades no abastecimento de toda a área.
Atualmente, o Residencial Jacinta Andrade dispõe de 155 quadras, onde é abastecido por um sistema independente implantado pela Agespisa, que conta com três poços tubulares, cada um com vazão de 30 mil litros por hora. Cerca de 20 quadras enfrentam intermitência no abastecimento. Para ampliar a oferta de água em curto prazo, a empresa perfurou um quarto poço, que vai entrar em operação até o fim desta semana.
Outra medida adotada pela direção da Agespisa para tentar regularizar o abastecimento foi o corte das ligações de água de 400 casas que ainda não estão habitadas. O objetivo é permitir o aumento da pressão na rede, reforçando o abastecimento dos moradores, além de evitar o desperdício e o furto de água.
Mais um investimento no Jacinta Andrade que está em andamento é a construção de um reservatório com capacidade para 800 mil litros na área mais alta do residencial. A obra deverá ser concluída até o fim do ano.
A Agespisa reitera que o problema de abastecimento do residencial é decorrente de clandestinas feitas em uma área ocupada, que utiliza a água distribuída para quem mora no Jacinta Andrade e em virtude do grande desperdício verificado tanto na ocupação quanto no próprio conjunto.
Repórter: Felipe Freitas

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