Mea Culpa – Por que rompi com Totonho



Muitas pessoas se perguntam por que meu rompimento tão repentino com o governo Chicote e por quais razões ocorreu. Na verdade, esse rompimento já estava sendo amadurecido e gestado há muito tempo e já decidido, apenas esperava o melhor momento para anunciá-lo; e ainda não havia sido manifesto porque alguns amigos, como o Henrique do blog Pedras Verdes, me pediam para esperar mais e alegavam que ainda não era o momento certo. Venho aqui explicar e fazer meu mea culpa a Pedreiras e ao meu povo irmão.

Votei em Totonho Chicote. Articulei a aliança que selou a casamento político do seu grupo com o de Raimundo Louro, o que garantiu a vitória, pois sem a junção de ambos a eleição estava perdida. Inclusive, num momento crítico em que a aliança estava deveras comprometida, impossível, entrei em cena urgente e selei-a de forma definitiva e irrevogável. Como o próprio prefeito diz: fui a amálgama, o cimento que uniu os grupos irreverssivelmente e garantiu a vitória. Tive esse papel, pois era na época o coordenador político do grupo do deputado Raimundo Louro juntamente com Damião do Ciretran.

Mas ninguém me viu nenhuma vez no palanque durante a campanha, em nenhuma palestra ou comício ou outra atividade eleitoral daquele pleito, tais como arrastões, passeatas, carreatas etc. Nem na convenção fui. Agi assim por ver a condução do processo de campanha centralizada, desorganizada e sem o planejamento adequado. Para mim isso era o prenúncio do que seria o futuro governo. No final da campanha, quando a coisa piorou e Simplício Araújo ameaçou tomar a eleição de Totonho, novamente me chamaram, e ajudei com idéias de redirecionamento da campanha que consolidaram a vitória. Nada ganhava por isso.

Apareci ao lado do prefeito na comemoração da vitória. Meu nome chegou a ser anunciado oficialmente como da assessoria especial dele. Mas no primeiro mês me informaram que seria incompatível legalmente eu ser da assessoria especial e médico do município. Mentira. Manobra do “núcleo duro” do poder para me afastar do centro de decisões por medo de mim por saber que eu não concordaria com as maracutaias que intencionavam fazer. Eu aceitei sem reclamar ter sido alijado do círculo de prestígio. Continuei como mero servidor médico. Fui chamado depois pelo prefeito para ajudar a assessora da Secretaria de Planejamento, Maria do Hélio, na elaboração do Plano Pluri-Anual-PPA, no que me prontifiquei, voluntariamente, e só não concluí por ter tido que me afastar antes do final para tratamento de saúde.

Desde o início sempre observei um governo sem norte, sem planejamento, sem objetivos definidos; extremamente nepotista; desprovido de disposição de empreender e ousar para o desenvolvimento de nossa cidade e de emancipação da cidadania de nosso povo. Um governo marcado por uma composição de quadros pífios, com raríssimas exceções; centralizador; sem humildade e transparência administrativa, que não se digna a prestar contas a seus munícipes; arbitrário, autoritário, prepotente, mal assessorado, atabalhoado, que não busca o diálogo, mas o enfrentamento. E pior: eivado de corrupção e desvios de verbas públicas que deviam estar gerando mais emprego e renda ao nosso povo, promovendo mais saúde e mais educação de qualidade, gerando mais riqueza ao nosso município e mais saneamento básico, proporcionando mais beleza a nossa cidade e mais felicidade ao nosso povo. É um governo no qual as licitações é um jogo de cartas marcadas, em que empresas que não têm uma pá ou um carrinho de mão vencem licitações de obras de milhões. Em que as obras, os produtos e materiais adquiridos são superfaturados e a propina é rotina institucionalizada. Um governo sem compromisso com a justiça social.

Um governo prepotente que peita o Ministério Público e a Justiça. E que tantas vezes eu fui o intermediário do MP para tentar conciliar situações administrativas vergonhosas e que eles, governo, preferiram a ilegalidade e o enfrentamento às instituições defensoras da sociedade. Um governo que atrasa salários de servidores maltrapilhos que ganham um salário mínino, de limpadores de chão, de cozinheiras, de lavadeiras e que agora atrasa proventos de pobres aposentados e até diminue aposentos e pensões, que constituem direitos adquiridos.

Por isso e por muito mais é que eu rompi com esse governo. E peço perdão ao povo de Pedreiras por tê-lo apoiado e ajudado a chegar e estar lá. Não tem como se ter compromisso com o povo, com a cidade e com a vida, como eu tenho, e continuar apoiando um governo desses, que não tem esses compromissos. Peço orações também por proteção a mim, pois sei que as represálias, duríssimas, virão.

Eu só queria um governo com coração. Com cara e jeito de gente.

 Esse governo pode ter agido com humanidade comigo. E de fato agiu e me ajudou em momentos críticos de minha saúde. Mas só comigo não vale. Tem que ser com todo o povo dessa cidade, pois Pedreiras é de todos nós, não somente de alguns. Lutar sempre. Desistir da luta, jamais. Esse é o meu lema!!! 

 Allan Roberto Costa Silva, 

Médico, ex-Vereador-Presidente da Câmara Municipal de Pedreiras, membro da Academia Pedreirense de Letras-APL e da Associação de Poetas e Escritores de Pedreiras-APOESP. E-mail: arcs.rob@hotmail.com

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