Ostentação de ex-prefeita é irrelevante para investigação, diz delegado

Depois de passar 39 dias foragida, a ex-prefeita se entregou à Superintendência da Polícia Federal, em São Luís, na última segunda-feira (28). Atualmente sem partido (ex-PP), Rocha é indiciada por crimes de associação criminosa, peculato e fraude em licitações para reformas de escolas.

Para o delegado, a importância dada às publicações da "prefeita ostentação" seria "mais uma criação da mídia do que de fato a investigação da polícia"

"A presença dela nas redes sociais não foi levada em conta em nenhum momento na investigação, nem é citada no inquérito", disse à BBC Brasil o delegado da Polícia Federal Ronildo da Silveira, responsável pelo caso.  

— O Instagram da prefeita, para nós, é irrelevante.

Magno Linhares, juiz responsável por determinar o destino da ex-prefeita e de seu ex-namorado e ex-secretário de Articulação Política, Beto Rocha, e do ex-secretário de Agricultura Antonio Gomes da Silva, concorda com o delegado da Polícia Federal. "Eu não avalio pelo aspecto moral, mas pelo aspecto jurídico", diz Linhares, da 2ª Vara do TRF (Tribunal Regional Federal).  

— [O foco na ostentação] é interessante, porque mostra que a sociedade está atenta a seus gestores. Mas também mostra um aspecto negativo, porque pode ensejar em pré-julgamento contra os supostos desvios que estão sendo apurados. 

Os advogados da ex-prefeita não responderam aos pedidos de entrevista.

'Compro o que quiser'  

Para o criminalista David Rechulski, especializado em administração pública e crimes de internet, as contas da "prefeita ostentação" na internet são "irrelevantes" na investigação.

— A partir do momento em que se descobre algo efetivo, o comportamento extravagante dela se torna secundário. Teria relevância maior se ela tivesse cometido algum crime usando meios eletrônicos




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