Regina Duarte fala de feminismo em seu primeiro evento à frente da Cultura



Em seu primeiro evento como secretária da Cultura, a atriz Regina Duarte lembrou a compositora brasileira Chiquinha Gonzaga (1847-1935), representada por ela em uma série de TV, afirmando que ela foi "pioneira do feminismo":

— Chiquinha Gonzaga, pioneira do feminismo mantendo sua feminilidade, criadora de músicas que ficaram para sempre no nosso cancioneiro. Era uma mulher à frente de seu tempo, aos 60 e poucos anos se apaixonou por um jovem bem mais novo do que ela, enfrentou essa dificuldade, que naquela época era um tabu — afirmou a atriz.

Ao lado do presidente Jair Bolsonaro, Regina também defendeu o papel da mulher no cuidado das crianças e na dedicação à família. Conservadora, a rede de apoio bolsonarista costuma fazer críticas ao feminismo.

O discurso de três minutos foi feito em cerimônia em comemoração ao Dia Internacional da Mulher, no Palácio do Planalto, nesta sexta-feira (6). Este foi o primeiro evento público da secretária desde que ela tomou posse, na quarta (4). 

Além dela, a ministra Damares Alves (Mulher, Família e Direitos Humanos) e a primeira-dama, Michelle Bolsonaro, discursaram. 

— A mulher tem sido representada na cultura e na dramaturgia de forma muito representativa na sua trajetória, na busca de se tornar mais parceira do seu companheiro — afirmou a atriz.

Ela destacou ainda que o contexto em que as mulheres vivem agora.

— Nós mulheres estamos vivendo num momento bastante difícil, de transições. Acho que houve bastante conquistas, conquistas extraordinárias, mas também muitas perdas.

Regina também mencionou o papel da mulher na família.

— A família precisa dessa mulher equilibrando e rodando os pratos da sua enorme responsabilidade, dedicando mais tempo às crianças e com isso também sendo um ser social ativo e criador. Acho que isso se reflete na sua dificuldade e acho que é a grande meta e desafio que nós mulheres precisamos enfrentar daqui para frente.

Em seu discurso, Damares rebateu as críticas de que as mulheres estão sub-representadas na equipe ministerial de Bolsonaro. Segundo ela, diversas mulheres ocupam postos de secretárias especiais, cargos do segundo escalão.

— Tem gente que fala que este governo só tem duas ministras. Vocês não têm ideia das secretárias especiais e extraordinárias que estão fazendo esta nação dar certo — disse a ministra. — São mães, esposas e profissionais que foram bem-sucedidas nas suas carreiras.

Ao fim do evento, Bolsonaro, que não tinha fala prevista, pegou o microfone para fazer uma declaração à mulher. 

— Enquanto houver mar, eu sempre vou te amar — disse.

A primeira-dama, que fez um breve discurso, repreendeu o marido por ele estar conversando com Damares enquanto ela discursava e fez um "psiu" no microfone.

Críticas

A atriz vem sendo alvo de ataques de seguidores do escritor Olavo de Carvalho por ter exonerado 12 nomes assim que assumiu a pasta. Entre as demissões, está a de Dante Mantovani, da Funarte (Fundação Nacional de Artes), que é aluno de Olavo e membro da Cúpula Conservadora das Américas.

Mantovani havia sido nomeado em dezembro de 2019 pelo ex-secretário da Cultura Roberto Alvim, que deixou o cargo em 17 de janeiro após fazer um vídeo com referências a um ministro da Alemanha nazista.

A demissão de nomes ligados à ala olavista levou à reação de apoiadores de Bolsonaro nas redes sociais e a hashtag #ForaRegina ficou entre assuntos mais comentados do Twitter. O próprio Olavo de Carvalho usou as redes para criticar a nova secretária. Ele se queixou sobre a possibilidade de a atriz excluir de seu quadro de servidores seguidores do escritor, guru ideológico do bolsonarismo.

"Se a Regina Duarte quer mesmo se livrar de indicados do Olavo de Carvalho, a pessoa principal que ela teria de botar para fora do ministério seria ela mesma", escreveu, antes das exonerações serem confirmadas.