Entenda o uso dos respiradores na pandemia do novo coronavírus

Dificuldade para respirar é um dos principais sintomas do novo coronavírus, isso porque os receptores pulmonares são atacados pelo COVID-19, que uma vez presenta nas células do pulmão, obriga essas mesmas células a funcionarem a seu favor, o que provoca nos doentes a falta de ar e, dependendo da gravidade do caso, demanda cuidados respiratórios intensivos. Nos leitos das Unidades de Tratamento Intensivo (UTI), problemas pulmonares são tratados, entre outras formas, com respiradores, especialmente em quadros delicados.
Segundo dados do Ministério da Saúde, o Brasil tem 65.411 respirados, mas somente 61.219 estão adequados para o uso, e a maioria dos aparelhos se concentra na rede pública de saúde. O professor Marcelo Fernandes, especialista na área de Fisioterapia Respiratória da Universidade Presbiteriana Mackenzie (UPM) explicou que os respiradores são responsáveis por facilitar a respiração de pacientes com os pulmões comprometidos.
Fernandes esclarece que o aparelho pode ser comparado a um computador, porque faz a gerência de vários parâmetros, que varia de acordo com a necessidade de cada paciente. “O respirador deve ser ligado à tomada e, ao mesmo tempo, em uma rede de gases oxigênio e nitrogênio. Uma mistura entre esses dois gases é feita pela máquina”, completa o especialista.
Sob uma pressão controlada, para não gerar trauma nos pulmões, o gás é injetado no órgão respiratório da pessoa doente. Conforme há melhora no quadro, é feito o desmame, ou seja, a redução de parâmetros, como a quantidade de oxigênio e pressão, que permite ao paciente, aos poucos, voltar a respirar sozinho. O manejo e o controle desses parâmetros é feito por médicos intensivistas e fisioterapeutas da área respiratória.
O especialista aponta a importância desses aparelhos que ganhou o mundo em função de uma parcela da população infectada pelo coronavírus, mais especificamente os idosos, que podem necessitar de assistência respiratória. “Vale ressaltar a importância da adoção de estratégias para oferecer respiradores, em maior escala, em um eventual aumento de casos graves da doença”, encerra Fernandes.